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Grupos internacionais elegeram o litoral potiguar para empreendimentos
de R$ 480 milhões nos próximos dois anos. Nomes como Ultraclassic,
Accor, Iberex, Sanchez, Serhs e Vignola Club Vacanze vão se tornar
familiar ao turismo norte-rio-grandense. O valor dos recursos
envolvidos pode ser ainda maior, conforme observações de especialistas
no setor turístico.
Resortes, condomínios e campos de golfe são os principais tipos de
investimento. Esses 70 investimentos irão inserir 27.250 novos leitos
na oferta de hospedagem do Estado. O número equivale a 60% dos atuais
39.252 leitos existentes no RN. São dados da Secretaria Estadual de
Turismo, que verifica o crescimento dos vôos charteres com destino a
Natal, projetos para campos de golfe e a vinda de agentes de viagens
espanhóis.
“Os estrangeiros descobrem o Estado, que possui mais do que a capital e
a Praia da Pipa”, observa Nelson Freire, secretário estadual de
Turismo. Pipa, praia do litoral sul a cerca de 76 quilômetros de Natal,
foi “invadida” há mais de 10 anos por portugueses com seus hotéis e
restaurantes, ajudando a trazer outros europeus, que fazem do lugar um
dos mais cosmopolitas do Brasil.
O Rio Grande do Norte oferece 410 quilômetros de costa, topografia
privilegiada, dunas e um cenário deslumbrante. Ambiente que atraiu
empresários portugueses como Armando Jorge e Rui Veloso, este cantor e
compositor de sucesso em seu país. Eles investiram na pousada Sino dos
Ventos e nos resortes do Siri e Tucano, em Touros, a 90 quilômetros ao
Norte de Natal.
Esses empreendimentos ficam na Praia de Peroba. Os resorts funcionam
como condomínios, com casas no valor de 50 mil euros, em média,
vendidas ainda na planta para portugueses. “De Touros a Tibau, existe
uma grande faixa de praia, completamente inexplorada e lá muita coisa
pode acontecer”, avalia Freire. A Costa Branca pontilhada por praias
quase nativas será o cenário da segunda grande onda de empreendimentos
no Estado em um futuro não muito distante. Na bucólica Malembar,
município de Georgino Avelino no litoral sul, próxima à Pipa,
empresários franceses planejam erguer um complexo com três hotéis, que
deverão ser adquiridos por bandeiras hoteleiras internacionais. O
projeto concebe a construção de vilas inteiras, com aparência de
pequenas cidades como “uma pequena Côte d´Azur potiguar”. O traçado
inclui uma marina e dois campos de golfe.
Nos últimos cinco anos, o Estado recebeu R$ 420 milhões em
investimentos. Até 2009, o poder público estadual poderá aplicar outros
R$ 200 milhões em estradas, obras de acesso e saneamento em vários
pontos. Pirangi, Cotovelo e Pium, no litoral sul, serão saneadas. Pipa
vai ganhar anel viário, acesso a Tibau do Sul - seu município sede - e
à Praia de Sibaúma. São R$ 6,8 milhões somente nesses projetos.
Convênios com a Caixa Econômica e antecipação de royalties da
Petrobras, representam outros R$ 380 milhões a serem destinados para a
recuperação de estradas e outros projetos nos pontos turísticos mais
importantes. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que
para cada R$ 1,00 aplicado pelo setor público no turismo, a iniciativa
privada entre com R$ 10,00. Traduzindo em termos globais, esses R$ 580
milhões, se empregados como a previsão aponta, podem acarretar a
atração de investimentos privados de R$ 5 bilhões nos próximos anos no
RN.
PREFERÊNCIA - A legião estrangeira arquiteta construir 15 campos de
golfe em praias potiguares nos próximos anos. Portugueses vão instalar
um próximo a Lagoa Boqueirão, em Touros; suíços farão outro na Praia de
Pititinga, em Rio do Fogo; italianos vão montar três em Muriú,
Ceará-Mirim; grupos locais pretendem com parceiros internacionais,
montar dois em Pitangui, Extremoz; suecos querem outros seis em
Alcaçuz, Nísia Floresta e os franceses, dois em Malembar. Essas
atrações, inseridas em resorts de luxo, vão ajudar a trazer para curtir
o clima ensolarado e o mar potiguares, turistas endinheirados e que
buscam o maior conforto possível.
Empresas italianas vão construir três hotéis em Muriú. O projeto que é
elaborado por um escritório de Milão, deverá incluir 312 bangalôs e 600
casas para vender ou hospedar os apreciadores de golfe. Serão
construídos três hotéis, numa iniciativa que deve consumir, pelo menos,
US$ 300 milhões. O empreendimento é da Imes - International Muriu
Eternal Sun, com sede no RN. O principal acionista é o grupo Vignola
Casa Vacanze, de Cagliari, na ilha da Sardenha. A previsão dos
envolvidos é de que o complexo esteja funcionando no final de 2006. O
projeto prevê a montagem de três campos de golfe. O custo unitário de
cada está na faixa dos US$ 5 milhões e dimensão de 10 hectares.
Sediado em Lugano, o grupo suíço Iberex, deve aportar na Praia de
Pititinga. São três hotéis e investimentos de aproximadamente US$ 120
milhões. O complexo contemplará 1,2 quilômetro de praia, campo de golfe
e 2.400 leitos.
Investidores espanhóis e holandeses pretendem erguer um pólo turístico
na Praia de Pitangui, em Extremoz, a 30 quilômetros de Natal. A
Paraísos do Brasil, empresa controlada por espanhóis deve construir 450
casas, apartamentos e chalés no local. O grupo Sanchez, com negócios na
Costa do Sol espanhola, na região de Málaga, Andaluzia, entre outras
áreas, também erguerá unidades hoteleiras no local. O parceiro nativo é
a Spel, Sociedade Potiguar de Empreendimentos Ltda. Os holandeses
ficarão com a instalação do campo de golfe. Em Pitangui, serão
construídos quatro hotéis e oferecidos 2.400 leitos.
“Pelo que observamos o litoral norte do Estado, de Extremoz a Touros,
deve receber cerca de 400 milhões de euros em investimentos em turismo
e lazer nos próximos anos”, aponta João Hernandez, atuante no mercado
imobiliário e que tem acompanhado diversos projetos na área. Em Barra
de Maxaranguape, a 40 quilômetros da capital, empreendimentos
português, espanhol e norueguês vão adicionar mais 3.600 leitos. Só um
dos hotéis previstos terá 400 apartamentos. “Cada leito vai gerar 1
emprego fixo e algo entre três e quatro, indiretos”, calcula Hernandez
ao lembrar que os estrangeiros têm preocupação com o meio ambiente. “A
intenção deles é conscientizar a população local a reciclar o lixo,
gerando renda sustentável e protegendo a natureza nativa.”
Os suecos devem criar seis campos de golfe em Alcaçuz, Nísia Floresta.
Dois hotéis, seis condomínios, e 1.200 leitos. Touros, a mais de 100
quilômetros, parece ser o foco principal dos portugueses. O grupo do
empresário Álvaro Peixoto, que já tem dois empreendimentos no litoral
sul, na cidade de Tibau, vai instalar um hotel próximo a Lagoa
Boqueirão com campo de golfe, condomínio, dois hotéis e 120 leitos.
Franceses devem erguer dois campos de golfe em Malembá, praia do
município de Georgino Avelino a 70 quilômetros ao sul de Natal, são
representados pelo grupo Ultraclassic do Brasil. Seis hotéis, 1.200
unidades com 2.400 leitos, dois campos de golfe. Bandeiras
internacionais como a Accor podem ingressar no projeto.
(Tribuna do Norte - 14/11/2005)
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