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sábado, 26 julho 2008
 
 
Turismo Lidera Investimentos no RN

Grupos internacionais elegeram o litoral potiguar para empreendimentos de R$ 480 milhões nos próximos dois anos. Nomes como Ultraclassic, Accor, Iberex, Sanchez, Serhs e Vignola Club Vacanze vão se tornar familiar ao turismo norte-rio-grandense. O valor dos recursos envolvidos pode ser ainda maior, conforme observações de especialistas no setor turístico.

 Resortes, condomínios e campos de golfe são os principais tipos de investimento. Esses 70 investimentos irão inserir 27.250 novos leitos na oferta de hospedagem do Estado. O número equivale a 60% dos atuais 39.252 leitos existentes no RN. São dados da Secretaria Estadual de Turismo, que verifica o crescimento dos vôos charteres com destino a Natal, projetos para campos de golfe e a vinda de agentes de viagens espanhóis.

 

“Os estrangeiros descobrem o Estado, que possui mais do que a capital e a Praia da Pipa”, observa Nelson Freire, secretário estadual de Turismo. Pipa, praia do litoral sul a cerca de 76 quilômetros de Natal, foi “invadida” há mais de 10 anos por portugueses com seus hotéis e restaurantes, ajudando a trazer outros europeus, que fazem do lugar um dos mais cosmopolitas do Brasil.

O Rio Grande do Norte oferece 410 quilômetros de costa, topografia privilegiada, dunas e um cenário deslumbrante. Ambiente que atraiu empresários portugueses como Armando Jorge e Rui Veloso, este cantor e compositor de sucesso em seu país. Eles investiram na pousada Sino dos Ventos e nos resortes do Siri e Tucano, em Touros, a 90 quilômetros ao Norte de Natal.

Esses empreendimentos ficam na Praia de Peroba. Os resorts funcionam como condomínios, com casas no valor de 50 mil euros, em média, vendidas ainda na planta para portugueses. “De Touros a Tibau, existe uma grande faixa de praia, completamente inexplorada e lá muita coisa pode acontecer”, avalia Freire. A Costa Branca pontilhada por praias quase nativas será o cenário da segunda grande onda de empreendimentos no Estado em um futuro não muito distante. Na bucólica Malembar, município de Georgino Avelino no litoral sul, próxima à Pipa, empresários franceses planejam erguer um complexo com três hotéis, que deverão ser adquiridos por bandeiras hoteleiras internacionais. O projeto concebe a construção de vilas inteiras, com aparência de pequenas cidades como “uma pequena Côte d´Azur potiguar”. O traçado inclui uma marina e dois campos de golfe.

Nos últimos cinco anos, o Estado recebeu R$ 420 milhões em investimentos. Até 2009, o poder público estadual poderá aplicar outros R$ 200 milhões em estradas, obras de acesso e saneamento em vários pontos. Pirangi, Cotovelo e Pium, no litoral sul, serão saneadas. Pipa vai ganhar anel viário, acesso a Tibau do Sul - seu município sede - e à Praia de Sibaúma. São R$ 6,8 milhões somente nesses projetos.

Convênios com a Caixa Econômica e antecipação de royalties da Petrobras, representam outros R$ 380 milhões a serem destinados para a recuperação de estradas e outros projetos nos pontos turísticos mais importantes. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que para cada R$ 1,00 aplicado pelo setor público no turismo, a iniciativa privada entre com R$ 10,00. Traduzindo em termos globais, esses R$ 580 milhões, se empregados como a previsão aponta, podem acarretar a atração de investimentos privados de R$ 5 bilhões nos próximos anos no RN.

PREFERÊNCIA - A legião estrangeira arquiteta construir 15 campos de golfe em praias potiguares nos próximos anos. Portugueses vão instalar um próximo a Lagoa Boqueirão, em Touros; suíços farão outro na Praia de Pititinga, em Rio do Fogo; italianos vão montar três em Muriú, Ceará-Mirim; grupos locais pretendem com parceiros internacionais, montar dois em Pitangui, Extremoz; suecos querem outros seis em Alcaçuz, Nísia Floresta e os franceses, dois em Malembar. Essas atrações, inseridas em resorts de luxo, vão ajudar a trazer para curtir o clima ensolarado e o mar potiguares, turistas endinheirados e que buscam o maior conforto possível.

Empresas italianas vão construir três hotéis em Muriú. O projeto que é elaborado por um escritório de Milão, deverá incluir 312 bangalôs e 600 casas para vender ou hospedar os apreciadores de golfe. Serão construídos três hotéis, numa iniciativa que deve consumir, pelo menos, US$ 300 milhões. O empreendimento é da Imes - International Muriu Eternal Sun, com sede no RN. O principal acionista é o grupo Vignola Casa Vacanze, de Cagliari, na ilha da Sardenha. A previsão dos envolvidos é de que o complexo esteja funcionando no final de 2006. O projeto prevê a montagem de três campos de golfe. O custo unitário de cada está na faixa dos US$ 5 milhões e dimensão de 10 hectares.

Sediado em Lugano, o grupo suíço Iberex, deve aportar na Praia de Pititinga. São três hotéis e investimentos de aproximadamente US$ 120 milhões. O complexo contemplará 1,2 quilômetro de praia, campo de golfe e 2.400 leitos.

Investidores espanhóis e holandeses pretendem erguer um pólo turístico na Praia de Pitangui, em Extremoz, a 30 quilômetros de Natal. A Paraísos do Brasil, empresa controlada por espanhóis deve construir 450 casas, apartamentos e chalés no local. O grupo Sanchez, com negócios na Costa do Sol espanhola, na região de Málaga, Andaluzia, entre outras áreas, também erguerá unidades hoteleiras no local. O parceiro nativo é a Spel, Sociedade Potiguar de Empreendimentos Ltda. Os holandeses ficarão com a instalação do campo de golfe. Em Pitangui, serão construídos quatro hotéis e oferecidos 2.400 leitos.

“Pelo que observamos o litoral norte do Estado, de Extremoz a Touros, deve receber cerca de 400 milhões de euros em investimentos em turismo e lazer nos próximos anos”, aponta João Hernandez, atuante no mercado imobiliário e que tem acompanhado diversos projetos na área. Em Barra de Maxaranguape, a 40 quilômetros da capital, empreendimentos português, espanhol e norueguês vão adicionar mais 3.600 leitos. Só um dos hotéis previstos terá 400 apartamentos. “Cada leito vai gerar 1 emprego fixo e algo entre três e quatro, indiretos”, calcula Hernandez ao lembrar que os estrangeiros têm preocupação com o meio ambiente. “A intenção deles é conscientizar a população local a reciclar o lixo, gerando renda sustentável e protegendo a natureza nativa.”

Os suecos devem criar seis campos de golfe em Alcaçuz, Nísia Floresta. Dois hotéis, seis condomínios, e 1.200 leitos. Touros, a mais de 100 quilômetros, parece ser o foco principal dos portugueses. O grupo do empresário Álvaro Peixoto, que já tem dois empreendimentos no litoral sul, na cidade de Tibau, vai instalar um hotel próximo a Lagoa Boqueirão com campo de golfe, condomínio, dois hotéis e 120 leitos.

Franceses devem erguer dois campos de golfe em Malembá, praia do município de Georgino Avelino a 70 quilômetros ao sul de Natal, são representados pelo grupo Ultraclassic do Brasil. Seis hotéis, 1.200 unidades com 2.400 leitos, dois campos de golfe. Bandeiras internacionais como a Accor podem ingressar no projeto.

(Tribuna do Norte - 14/11/2005)