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08-Fev-2012
 
 
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RN e Espanha assinarão acordo de cooperação em eólicas

Os governos estaduais do Rio Grande do Norte e do departamento de Navarra (Espanha) iniciaram esta semana conversas formais para a elaboração de um acordo de cooperação visando o desenvolvimento conjunto de políticas públicas de incentivo à geração energética a partir das fontes renováveis eólica, solar e biomassa. Os entendimentos iniciais e o consenso em torno das sinergias entre os dois estados foram estabelecidos entre o secretário de Energia e Assuntos Internacionais do RN, Jean-Paul Prates, e o vice-governador e Secretário de Fazenda de Navarra, Álvaro Miranda Simavilla, durante a visita ao Centro Nacional de Energias Renováveis (Cener), em Pamplona.

O secretário reuniu-se com o Vice-Presidente do grupo, o PhD em engenharia e tecnologia portuária Ian Kim, em Seul, esta manhã (horário do Brasil) - noite de quarta já, na Coréia. O executivo tem experiência de mais de 40 anos na concepção de projetos para portos de difícil acesso e é considerado o maior especialista do país em soluções para calado raso. Segundo ele, não é incomum o caso do Rio Grande do Norte, e é perfeitamente possível conceber, construir e operar um Terminal Graneleiro Oceânico em área de calado raso, desde que se tenha um ponto da costa onde exista um canal natural de calado maior - como vem a ser o caso de Porto do Mangue-RN, onde este canal encontra-se 15km mar adentro.

A proposta conceitual do especialista é a construção de uma "ponte oceânica" pela qual caminhões ou vagões acessariam o atracadouro principal que estaria localizado sobre o talude onde o canal de calado profundo se encontra. O uso de ramal ferroviário ou mesmo rodoviário é apontado como a melhor forma de escoamento dos granéis, combinado com um sistema de dutos agregado à ponte, para escoamento dos produtos derivados de petróleo, por exemplo.

Com isso, Ian Kim descarta a alternativa de correia transportadora, afirmando que a experiência mostra que para distâncias longas (no caso do RN, seriam pelo menos 13-15km mar adentro), este tipo de equipamento mostra grande potencial de avarias, especialmente em ambiente de alta salinidade.

Da conversa com o Secretário, surgiram conceitos adicionais para o aproveitamento da ponte oceânica, como a instalação de aerogeradores offshore (de grande porte, 2-3MW cada), e a instalação de uma marina próximo à costa - que poderia se converter em mais um pólo turístico para o Estado e para a região litorânea norte.

Perguntado sobre os prováveis impactos ambientais de tal projeto, o especialista afirmou que as técnicas deste tipo de construção hoje em dia permitem manter o fluxo marinho de forma a preservar a fauna e a flora, e não afetando as áreas de mangue, praias ou dunas localizadas na vizinhança do porto. Ele informou também que, no seu conceito, toda a estocagem de produtos deve permanecer na área de terra firme, sendo despachada para o ancoradouro apenas nos momentos próximos a cada embarque, evitando a estocagem offshore.

O Secretário de Energia deixou em aberto os próximos passos quanto à questão, explicando que terá que se reunir com os novos secretários das áreas envolvidas (Infra-estrutura e Desenvolvimento Econômico) para definir sobre o interesse em receber a visita dos especialistas coreanos a fim de prepararem um projeto conceitual para o Terminal Graneleiro Oceânico do RN. Jean-Paul Prates reiterou o interesse em receber uma proposição conceitual do projeto, sem compromisso por parte do Governo do Estado, o que foi prontamente aceito e será enviado brevemente para iniciar possíveis conversas sobre parcerias com os coreanos na solução deste desafio técnico-tecnológico que a própria Coréia já enfrentou tantas vezes.

O especialista agregou ainda que é muito bom que o Estado tenha condições naturais tão favoráveis, especialmente porque o calado raso, as correntes contra-postas e os ventos constantes tornam a costa potiguar um local extremamente aproveitável do ponto de vista econômico - para o turismo, os esportes náuticos, mergulho, aquacultura e pesca, criação de fauna e flora marinha e&nbspgeração de energia eólica.